Alexandre Castanheira… na nossa escola!
BE/CRE,17 de Abril de 2007
1.
Quem é… Alexandre Castanheira?
Alexandre Castanheira nasceu em Almada, em 1928.
Fez um curso em Lisboa e outro em Paris.
É poeta e professor.
E muito mais: fez investigação, foi deputado municipal, presidente da Junta de Freguesia do Laranjeiro, etc, etc...
Foi preso político, antes do 25 de Abril. E hoje, continua a defender a Liberdade.
2.
O escritor… e nós!
Alexandre Castanheira chegou pela manhã à biblioteca. E, pelo dia adiante, dinamizou três Ateliers de Poesia.
As turmas eleitas foram: 5º6ª, 6º3ª e 6º6ª.
Foi diferente o trabalho realizado de turma para turma, o que dependeu do interesse e participação de cada uma delas.
No entanto, todos os alunos puderam…
· ouvi-lo dizer poesia, de autores miúdos e graúdos;
· aplaudi-lo (entusiasmados)…;
· reflectir sobre “o que é a poesia”;
· escrever poesia, colectivamente… 
E muitos, muitos alunos, rabiscaram papéis e criaram pequenos e grandes poemas, inventados por si ou citados de memória…, cheios de entusiasmo e desejo de participar.
Além disso, este encontro permitiu ainda:
· ouvi-lo fazer referências à sua vida;
· ouvi-lo falar do 25 de Abril.
3.
Alguns dos poemas ditos por Alexandre Castanheira
A Flor
Uma flor apenas
e vermelha.
Tinha o sol nos cabelos
e a lama nas raízes.
Alguém a plantara
numa terra velha
roída de varizes.
Mas nem assim secou.
Ervas sugam-lhe as veias
e as rajadas das areias crestam-lhe a carne.
Mas nem assim finou.
É uma flor
e o sol fê-la vermelha.
Isso bastou.
Fernando Namora
Pequeno Poema
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu

nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
A minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P´ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Sebastião da Gama
4.
Os nossos textos colectivos / Palavra puxa Palavra
Vamos ter uma festaFesta de que
gostamos
Gostamos porque é
alegreAlegre como a
PrimaveraPrimavera, tempo de
amor
Amor para ser
feliz
Feliz como a
LiberdadeLiberdade que é uma
festaFesta do 25 de Abril.
Turma 6º3ª
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É um dia especial
Especial como uma mulher
Mulher como uma rosa
Rosa vermelha e bela
Bela como o sol a brilhar
Brilhar como o mar
Mar, uma beleza azul
Azul que torna este dia
Dia muito especial.
Turma 6º6ª
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Poesia, será para rir?
Rir é um sentimento
Sentimento… para chorar?
Chorar todos choram
Choram para se libertar
Libertar de dor intensa
Intensa como a escuridão
Escuridão não é paixão
Paixão… o que se sente no coração
Coração que faz viver
Viver é a nossa alegria
Alegria, alegria… a nossa Poesia.
Poesia, será para chorar?
Chorar para desabafar
Desabafar o que sentimos pelos outros
Outros, amigos ou inimigos,
Inimigos que não queremos
Queremos que viva a amizade
Amizade que nos traga felicidade
Felicidade… o que nos dá o amor
Amor, com muitos beijos
Beijos… oh que bela poesia
Poesia que não dá para chorar!
Turma 5º6ª
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5. Alguns dos nossos poemas individuais
É poeta e escritor
e também um bom leitor
espalha muita alegria
a sua inteligência não é vazia!
É um poeta encantador
as suas rimas do 25 de Abril diz com muito amor
Não se farta de escrever
e a sua escrita tem muito para nos dizer.
???, 6º6ª
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Mamã, és tão bela como uma manhã
Manhã, o que será para ti?
Para ti, é um tempo sem preocupações mas com trabalho
Trabalho para ti não é prazer
Prazer é um dever que tens de ter para teres alegria de viver!
Viver é a alegria que tens de ter!
Ter os teus filhos é bom?
Bom é ter a família de quem gostar!
Gostar de ti é uma felicidade que tenho desde que nasci!
Nasci com muita alegria e amor de viver.

Papá, és tão querido como a mamã
Tu és o pai que eu sempre desejei ter
Ter-te a ti faz-me sentir feliz.
Feliz é uma coisa que tu deves ser!
Ser pai tem muitas obrigações
Obrigações não é pêra-doce!
Doce é ouvir chamar o nome de papá…
Papá, quero que saibas que tenho muito orgulho em ti
Em ti, existe poesia?
Poesia é preciso para viver!
Carolina, nº 2, 5º 6ª
Quadras populares
Subi ao céu por uma linha
desci por um cordão
Fui pedir licença a Deus
para amar teu coração.
Escrevi o teu nome na água
e impossível seria
mas o teu é tão bonito
que até na água se lia.
Queria ser água de um rio
para correr suavemente
e dizer aos teus ouvidos
que te amo loucamente.
Fábio Fernandes, 5º 6ª